População de tigres selvagens no Nepal quase triplicou desde 2009

Os tigres selvagens no Nepal conseguiram se recuperar após estarem à beira da extinção. Há agora quase três vezes mais animais no país do que em 2009, segundo o governo nepalês. O primeiro-ministro, Sher Bahadur Deuba, anunciou o sucesso da conservação na manhã de sexta-feira (29), de acordo com um comunicado de imprensa do World Wildlife Fund.

A Pesquisa Nacional de Tigres e Presas do Nepal de 2022 descobriu que agora existem 355 tigres selvagens no país, um aumento de 190% desde 2009.

O levantamento exaustivo cobriu 18.928 quilômetros quadrados –mais de 12% do país– e exigiu 16.811 dias de tempo da equipe de campo.

Ginette Henley, vice-presidente sênior de conservação da vida selvagem do World Wildlife Fund dos EUA, disse à CNN que o anúncio representa uma grande vitória para conservacionistas e os tigres.

“Os tigres no Nepal e em todos os outros lugares em que vivem na Ásia, cerca de dez países, estavam em declínio constante por duas razões principais”, disse Henley. “A razão mais imediata era a caça furtiva para o comércio ilegal de animais. A segunda razão foi a perda de habitat”.

“Em 2010, ficou claro que perderíamos esses tigres, a menos que fizéssemos um esforço conjunto para mudar as coisas”. Os governos de países que abrigam os tigres estabeleceram uma meta de dobrar o número de tigres selvagens até 2022, na cúpula internacional de São Petersburgo sobre a conservação de tigres. O Nepal é o primeiro país a divulgar números atualizados de tigres em 2022.

Henley disse que o Nepal “realmente se destaca como líder em conservação, especialmente em relação aos tigres”.

“Há apoio para a conservação de tigres no mais alto nível do governo”, disse ela. “Isso se traduziu em uma conservação de habitat realmente eficaz, reforçando a proteção de tigres em parques nacionais, que são as reservas de vida selvagem”.

De acordo com Henley, um dos principais pontos fortes de conservação do Nepal é seu foco em corredores de vida selvagem, que são caminhos florestais para ajudar a conectar pedaços fragmentados de habitat dos tigres.

“O Nepal tem sido pioneiro no reflorestamento de áreas para garantir que essas conexões sejam restauradas e mantidas”, explicou ela. À medida que crescem e se afastam de seus pais, “os tigres precisam se dispersar. Essa dispersão só é possível se eles puderem se movimentar com segurança”.

O outro fator-chave no retorno dos tigres do Nepal é o envolvimento da comunidade em projetos de conservação, disse Henley.

“As comunidades são a força motriz por trás disso”, disse ela. “Eles são engajados para fazer o reflorestamento, manter esse hábito e estão diretamente envolvidos na conservação”.

O World Wildlife Fund se envolveu em projetos de ecoturismo no Nepal, acrescentou Henley. À medida que a população de tigres se recuperou, os parques nacionais protegidos para tigres tornaram-se atrações turísticas populares, com a receita dos parques ajudando a apoiar as necessidades da comunidade. Isso promove um senso de investimento comunitário em projetos de conservação, explicou Henley.

Outro ingrediente-chave na recuperação de populações de tigres é encontrar maneiras de eles coexistirem com os humanos com segurança, disse Henley.

“O que é realmente necessário é uma abordagem holística”, disse ela. “Monitorar os tigres, saber onde eles estão vivendo, pode ajudar as comunidades a se manterem mais seguras”.

O Nepal também obteve sucesso com ferramentas práticas, como cercas à prova de predadores para o gado e iluminar os perímetros das aldeias à noite para afastar os tigres.

A implantação de programas de compensação para agricultores cujo gado é morto por tigres também permite uma melhor coexistência entre humanos e esses animais, disse Henley.

Os conservacionistas referem-se a um conceito conhecido como “capacidade de carga social” para descrever a capacidade de uma determinada comunidade tolerar um certo número de animais como tigres. “Compreender essa dinâmica e essa capacidade de carga social é uma nova área de foco para nós”, disse Henley.

“Nós não os teremos lá, a menos que as pessoas que vivem com tigres os desejem lá”, disse ela.

Proteger os tigres também ajuda a proteger outras espécies ameaçadas de extinção. “Efetivamente, se vamos proteger um tigre, vamos proteger 10 mil hectares de floresta”, disse Henley. Os tigres também vivem em “algumas das florestas mais ricas em carbono”. Isso “nos ajudará a mitigar as mudanças climáticas também, se protegermos essas florestas muito ricas”.

Mas enquanto o Nepal é uma história de sucesso em relação aos tigres, Henley apontou que ainda existem muitos países onde os tigres estão em “crise”. Os tigres foram extintos no Vietnã, Camboja e Laos desde 2000, disse ela. “Temos que olhar para os elementos que levaram ao sucesso no Nepal e na Índia e tentar reproduzi-los. A parte mais importante disso é a vontade e a liderança políticas”.

Os Estados Unidos também desempenham um papel na conservação dos tigres. Henley apontou para o Big Cat Public Safety Act, uma legislação que estabeleceria limites à propriedade privada de tigres nos EUA e, esperançosamente, ajudaria a impedir que os grandes felinos entrassem no comércio ilegal de animais.

Existem cerca de 3.900 tigres em estado selvagem, de acordo com o World Wildlife Fund, e a espécie é considerada ameaçada de extinção.

Fonte CNN Brasil

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