“Perdemos o pilar da família”, diz filha de mulher morta em operação no Rio

A filha da mulher de 50 anos morta durante operação da Polícia Militar nesta quinta-feira (21) no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, afirmou à CNN que Letícia Marinho era o pilar da família. Jenifer Salles, de 30 anos, diz que mãe deixou a comunidade da Vila Cruzeiro, também na zona norte, justamente por causa da violência.

Ao todo, a operação deixou 18 pessoas mortas, sendo que 17 morreram na quinta (21) e uma foi a óbito nesta sexta. Inicialmente, a Polícia Civil havia divulgado que a ação deixou 19 mortos. A informação foi corrigida pela corporação, que afirmou que um suspeito baleado havia sido dado como morto, mas sobreviveu.

Entre os mortos estão o cabo Bruno de Paula Costa, Letícia Salles e 15 suspeitos. A ação, iniciada na madrugada, gerou intenso confronto na região e durou cerca de 10 horas. Cenas de corpos sendo carregados por moradores repercutiram, inclusive, na imprensa internacional.

A filha de Letícia conta que ela e o namorado Denilson, junto com o primo dele, voltavam para casa no Recreio dos Bandeirantes pela Estrada do Itararé. Segundo o relato das testemunhas, quando estavam parados em um sinal, uma mulher em um veículo próximo sacou uma arma declarando que era policial. Em seguida, um agente que estava no local atravessou a via e realizou disparos, que atingiram o carro da família.

De acordo com Jenifer, o namorado e o primo dele, Jaime, relatam que não havia confronto no local no momento que Letícia foi alvejada.

“Tudo isso acontece pelo despreparo da polícia. A minha mãe não representava nenhuma ameaça naquele momento. O carro estava parado com todos os vidros abertos, então dava para identificar todos que estavam ali. Mas ele simplesmente atirou e levou a vida de uma pessoa inocente”, lamenta Jenifer

“Tá sendo terrível, ninguém imaginava passar por isso dessa forma. Ela saiu da comunidade por causa dessa violência e a única coisa que trazia ela para cá era eu e minha irmã. Tá todo mundo sem chão, eles levaram o pilar da família, era ela que incentivava todo mundo, que apoiava todo mundo”, diz ela.

Letícia, nascida e criada na Vila Cruzeiro, deixa três filhos e três netas. Jenifer conta que ela sempre esteve envolvida em ações solidárias na comunidade. Ela trabalhava fazendo quentinhas e costuras, mas planejava voltar à função de vigia, que abandonou para cuidar dos pais, ambos diagnosticados com câncer.

O corpo de Letícia Marinho será velado às 11h deste sábado (23) no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju. Segundo a família, o enterro está previsto para 11h30.

Morta em operação no Complexo do Alemão, Letícia Marinho tinha 50 anos
Morta em operação no Complexo do Alemão, Letícia Marinho tinha 50 anos / Arquivo pessoal

Nova ação na região causa mais uma morte

Nesta sexta-feira (22), outra mulher foi morta durante um confronto na região. A vítima foi identificada como Solange Mendes, de 49 anos. De acordo com a polícia, agentes que retiravam barricadas da comunidade foram atacados a tiros por criminosos, mas a ação não faz parte da operação desta quinta.

Os dois casos são investigados pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Segundo a Polícia Civil, testemunhas e agentes estão sendo ouvidos e a corporação está recolhendo as armas utilizadas na operação para perícia.

Até o momento, pelo menos 14 mortos nesses dois dias de ações já foram identificados. Entre os 15 suspeitos mortos, 11 já foram identificados. Desses, 9 tinham anotações criminais por crimes como tráfico de drogas, homicídio, roubo, furto e porte de arma de fogo de uso restrito.

As armas dos policiais envolvidos nos tiroteios que deixaram mortos estão sendo apreendidas para que a perícia possa comparar as balas com os ferimentos das vítimas inocentes e com os projéteis recolhidos no local.

 

* Sob supervisão de Isabelle Resende

Fonte CNN Brasil

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