Ginecologista de Canguçu réu por assédio sexual fica proibido de atender em consultório após pedido do MP

Medida passa a valer no sábado (5). Profissional não poderá exercer medicina até o término do inquérito. Vinte mulheres já denunciaram médico à polícia. Defesa não se manifestou sobre caso

Médico não poderá atender em clínica de Canguçu até conclusão do inquérito — Foto: Reprodução/RBS TV
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A pedido do Ministério Público, a Justiça determinou que o médico Cairo Barbosa, réu por assédio sexual, não poderá atender pacientes em seu consultório, a partir de sábado (5), em Canguçu, na Região Sul do Rio Grande do Sul. As informações são do MP.

Até lá, o ginecologista de 65 anos apenas poderá dar suporte a pacientes em final de gestação. O médico já estava impedido de atender no hospital da cidade.

A RBS TV procurou a defesa do médico. O advogado de Barbosa informou que não irá se manifestar.

Uma das mulheres que teriam sofrido abuso relatou o caso à RBS TV. Preferindo não se identificar, ela afirma que foi tocada pelo ginecologista, que não usava luvas.

“Tirei a roupa, a parte de baixo da roupa, e ele começou a me massagear dizendo que era necessário lubrificar. Só que ele estava sem luvas. Sem luvas, eu achei um pouco estranho, né. Porque não é de costume de médico examinar paciente sem luva. No momento, eu não tive reação nenhuma. Eu fiquei um pouco tensa assim, mas não me dei de conta da situação que tava acontecendo”, contou.

“Eu espero que ele não possa mais exercer a medicina. Que ele nunca mais toque em mulher nenhuma. Porque isso é uma situação que mulher nenhuma merece passar por isso”.

O Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers) informou que recebeu a denúncia sobre o médico e abriu uma sindicância para investigar se houve ilícito ético no exercício da profissão. O processo corre em sigilo.

Mulher que denunciu médico de Canguçu por assédio — Foto: Reprodução/RBS TV
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Afastamento e investigação

A promotora Luana Ribeiro afirma que o a pena máxima ao réu pode chegar a seis anos de prisão para cada caso eventualmente confirmado.

“O crime pelo qual ele foi denunciado é violação sexual mediante fraude. Pode prever uma pena de prisão até seis anos. Se condenado for, considerando inclusive o número de casos. Porque cada fato, cada vez que isso acontecia, corresponde a um tipo, a um crime diferente”, disse.

Denúncias de quatro mulheres já foram remetidas ao Judiciário. Com a repercussão do caso, outras 16 pessoas denunciaram o médico à Polícia Civil, somando 20 casos. O ginecologista deve prestar novo depoimento na próxima semana.

Uma policial mulher foi colocada à disposição para ouvir as denunciantes. O delegado César Nogueira afirma que os relatos de assédio datam de mais de 25 anos atrás.

“O que segue chamando atenção é a singularidade na conduta. Todas descrevem condutas praticamente iguais praticadas pelo médico. Tanto vítimas de 1995 como vítimas de 2020”, relatou.

Fonte: G1

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